Toda empresa que cresce em vendas chega, cedo ou tarde, a um momento estranho: o faturamento sobe, a equipe comercial bate metas, e mesmo assim o lucro no fim do mês não acompanha. Um dos motivos mais comuns, e mais ignorados, é a forma como a comissão do vendedor foi desenhada lá atrás, sem revisão desde então.
Quando a comissão é calculada sobre o faturamento bruto, o incentivo do vendedor é vender mais, não vender melhor. Ele não tem motivo nenhum para se importar com o desconto que concedeu, com o prazo que estendeu ou com o frete que a empresa absorveu para fechar o negócio. Do ponto de vista dele, a venda aconteceu e a comissão está garantida. Do ponto de vista da empresa, aquela venda pode ter dado prejuízo.
O erro mais comum: comissionar sobre faturamento, não sobre margem
É o desenho mais fácil de implementar e, por isso, o mais usado: um percentual fixo sobre o valor vendido. Funciona bem enquanto a política comercial é rígida e ninguém tem autonomia para negociar preço ou prazo. O problema aparece quando o vendedor ganha liberdade para dar desconto, parcelar mais vezes ou incluir frete grátis, decisões que corroem a margem e que, num modelo comissionado por faturamento, não custam nada para quem vendeu.
Comissão sobre margem de contribuição muda o incentivo
A alternativa mais eficiente é trocar a base de cálculo: em vez de comissionar sobre o valor da venda, comissionar sobre a margem de contribuição que aquela venda deixou depois de descontar custo variável, impostos sobre a venda e o próprio desconto concedido. Quando o vendedor sabe que o desconto sai do bolso dele antes de sair do da empresa, a negociação muda de tom, e ele passa a defender o preço com o mesmo interesse do dono.
Esse ajuste conversa direto com o conceito de margem de contribuição: o número que sobra depois dos custos que variam com a venda, e que deveria orientar até onde vale a pena negociar.
Como montar a régua de comissionamento
- Defina a margem de contribuição mínima aceitável por produto ou linha, abaixo da qual a venda não deveria acontecer.
- Crie faixas de comissão que sobem conforme a margem entregue sobe, não conforme o valor vendido sobe.
- Estabeleça um teto de desconto que o vendedor pode conceder sem aprovação, e um piso de margem que exige aprovação da gestão.
- Revise a tabela a cada seis meses, porque custo variável e carga tributária mudam e a régua do início do ano pode ficar defasada.
Sua comissão está alinhada com a margem real?
Com a Precificação Lucrativa da BeWolf, revisamos a forma como sua empresa forma preço e paga comissão, para garantir que cada venda deixe margem de verdade, não só faturamento.
Falar sobre Precificação LucrativaO que fazer quando a equipe reclama que "está ganhando menos"
A mudança de modelo costuma gerar resistência, principalmente de quem se acostumou a empurrar desconto para bater meta rápido. O caminho mais seguro é fazer a transição em paralelo por dois ou três meses, mostrando ao vendedor, lado a lado, quanto ele ganharia em cada modelo com as vendas reais que fez. Na prática, quem já vende com margem saudável costuma ganhar mais no novo modelo, e é esse exemplo que convence o resto da equipe.
Quando o problema não é a comissão, é o preço
Às vezes a régua de comissionamento está correta e o problema está uma etapa antes, na própria tabela de preços, que não reflete o custo real do produto ou serviço. Nesse caso, ajustar a comissão só empurra o problema, sem resolver. Antes de redesenhar o comissionamento, vale revisar se a precificação praticada tem margem suficiente para sustentar qualquer estrutura de incentivo, além das taxas que já corroem essa margem antes mesmo da comissão. É esse diagnóstico que a Precificação Lucrativa da BeWolf faz: uma revisão completa da forma como sua empresa forma preço, para garantir margem de sobra antes de decidir como repartir essa margem com quem vende.
