Se a sua empresa vende pelo Mercado Livre, Shopee, Amazon ou Shein, vale conferir a tabela de taxas de novo. Os quatro canais reajustaram comissões em 2026, e boa parte dos lojistas continua precificando com a tabela antiga na cabeça, o que corrói a margem venda após venda sem que ninguém perceba de onde o dinheiro está saindo.
O problema não é usar marketplace. É tratar a comissão como um detalhe de checkout, quando na verdade ela é um custo variável que precisa entrar na precificação com o mesmo peso do custo do produto e do imposto.
O reajuste de 2026 que passou despercebido
A Shopee, desde março de 2026, cobra 20% sobre produtos até R$ 79,99 e 14% acima desse valor, além de ter substituído o antigo teto de R$ 100 por item por uma taxa fixa que varia de R$ 4 a R$ 26 conforme a faixa de preço. O Mercado Livre passou a calcular parte do custo por peso e dimensão para itens abaixo de R$ 79, no lugar da taxa fixa anterior. A Shein subiu para 18% a comissão da maioria das categorias, chegando a 20% em vestuário feminino. O TikTok Shop, mais recente no país, cobra 10% mais R$ 4 por item abaixo de R$ 50, ou 6% mais R$ 6 acima disso.
Nenhuma dessas mudanças chega por carta registrada. Elas aparecem em um e-mail de atualização de política que o lojista lê por cima, ou nem lê, e o efeito só some no extrato do mês seguinte.
Comissão não é o único custo do canal
A porcentagem que aparece na tabela do marketplace é apenas a primeira camada. Some a ela a taxa fixa por item, o frete que o vendedor absorve total ou parcialmente conforme a categoria, o custo de embalagem para o padrão exigido pelo canal e, em muitos casos, o investimento em anúncio patrocinado para o produto aparecer nas primeiras posições. Quando essas quatro camadas entram na conta, o custo real do canal costuma ficar de 8 a 15 pontos percentuais acima da comissão anunciada.
É por isso que um preço que dá lucro na loja física, ou no site próprio, pode dar prejuízo dentro do mesmo marketplace, mesmo vendendo pelo mesmo valor.
Uma comissão de 14% parece pequena isolada. Somada à taxa fixa por item, ao frete e ao anúncio patrocinado, o custo real do canal pode passar de 25% do valor da venda, e é esse número que precisa entrar na precificação, não o da tabela.
Como calcular o custo real antes de precificar
O caminho mais seguro é montar, para cada canal de venda, uma ficha de custo separada: preço de venda, custo do produto, imposto, comissão percentual do canal, taxa fixa por item, frete (quando é da empresa) e uma fração do investimento em anúncio quando ele é usado de forma recorrente naquele produto. Só depois de somar tudo isso a empresa sabe se aquele preço, naquele canal, deixa a margem mínima definida no planejamento.
Empresas que vendem em três ou quatro marketplaces ao mesmo tempo, cada um com sua tabela e sua regra, normalmente descobrem que o preço de tabela única não funciona: o preço precisa variar por canal para manter a mesma margem líquida em todos eles.
Quer ver isso aplicado no seu negócio?
Na Precificação Lucrativa da BeWolf, calculamos o custo real de cada canal de venda, inclusive marketplace, e ajustamos o preço para proteger a margem que a sua empresa realmente precisa.
Falar sobre Precificação LucrativaO erro mais comum: copiar o preço da loja para o marketplace
É comum encontrar empresas que usam o mesmo preço da loja física ou do site próprio dentro do marketplace, por comodidade ou para não parecer mais caro que a concorrência. O resultado é vender bem e lucrar pouco, ou nada, sem que o dono perceba, porque o relatório de vendas mostra faturamento crescendo enquanto o caixa não acompanha.
Esse é o mesmo tipo de distorção que aparece quando a empresa não separa as taxas de maquininha e MDR do preço final: o custo do meio de pagamento, ou do canal de venda, precisa estar dentro da ficha de custo, não fora dela. O ponto de partida é o mesmo de qualquer precificação séria: montar uma ficha técnica de custo completa antes de decidir o preço, e depois adaptar essa ficha para cada canal de venda.
Marketplace é um canal poderoso de faturamento, mas só é lucrativo quando o preço é calculado com o custo real do canal dentro da conta. Conhecer as soluções da BeWolf para precificação e gestão financeira é o primeiro passo para transformar volume de venda em lucro de verdade.
