Quase toda empresa oferece mais de uma forma de pagamento e quase nenhuma sabe qual delas realmente compensa. A comparação costuma parar na taxa: cartão cobra um percentual, boleto cobra um valor fixo, Pix é gratuito ou quase. Se a análise terminar aí, a conclusão vai ser errada, porque taxa é apenas um dos três componentes do custo.
Os outros dois são prazo e risco. Um meio de pagamento que não cobra nada mas demora trinta dias para virar dinheiro custa caro para quem tem caixa apertado. Um meio barato com alta taxa de não pagamento custa ainda mais.
Os três componentes que precisam entrar na conta
- Taxa direta: percentual ou valor fixo cobrado pela instituição em cada transação.
- Prazo até o dinheiro estar disponível, convertido em custo pelo seu custo de capital.
- Risco de não recebimento, medido pelo histórico real da sua carteira.
- Custo operacional interno: tempo de emissão, envio, baixa e conciliação de cada meio.
Como cada um se comporta
O Pix tem custo direto baixo, liquidação imediata e risco de não pagamento praticamente nulo, porque o dinheiro cai antes da entrega. A limitação é que ele não financia o cliente: quem precisa de prazo não vai usar Pix à vista. É por isso que a cobrança recorrente por Pix ganhou espaço em contratos mensais, tema que já tratamos ao falar de Pix automático e cobrança recorrente.
O boleto tem custo fixo por emissão, o que pesa muito em ticket baixo e pouco em ticket alto. O prazo é definido pela empresa, mas o risco de não pagamento existe e precisa ser medido, porque emitir boleto não garante recebimento. Já o cartão transfere o risco para a operadora, cobra o percentual mais alto e impõe prazo de repasse, além de parcelamento que estica ainda mais a entrada de caixa.
Meio de recebimento não se escolhe pela taxa. Escolhe-se pelo dinheiro que sobra e pela data em que ele entra.
Quer comparar os seus meios de recebimento com número real?
No BPO Financeiro da BeWolf, conciliamos recebimentos, medimos prazo e custo por canal e entregamos relatórios gerenciais mensais com reunião estratégica, para você definir a melhor política de cobrança.
Falar sobre BPO FinanceiroA conta prática, em quatro passos
Pegue os últimos doze meses e separe as vendas por meio de recebimento. Para cada um, calcule o total de taxas pagas dividido pelo valor recebido, o prazo médio real entre venda e crédito, e o percentual do que foi emitido e nunca entrou. Multiplique o prazo médio pelo seu custo de capital mensal e some tudo. O resultado é o custo total por canal, em percentual do faturamento.
Com esses números, decisões que pareciam difíceis ficam simples. Dar desconto para pagamento à vista, por exemplo, deixa de ser sensação e vira comparação direta: se o desconto oferecido for menor que o custo total do meio que você substitui, o negócio é bom.
Vale ainda considerar o efeito sobre a venda. Retirar o cartão parcelado da loja reduz custo, mas pode reduzir o ticket médio e a conversão. A decisão correta raramente é eliminar um canal: é dosar quais são incentivados em cada situação, sabendo exatamente quanto cada um custa.
Política de cobrança, não improviso
- Defina qual meio é padrão para cada tipo de cliente e ticket.
- Ofereça desconto à vista só até o limite do custo que você economiza.
- Renegocie taxas com adquirente e banco a cada seis meses, usando o volume como argumento.
- Acompanhe mensalmente o custo por canal, porque ele muda com o mix de vendas.
Empresas que fazem essa análise costumam encontrar de um a dois pontos percentuais de margem sem tocar no preço. Se quiser montar essa comparação com método, conheça as soluções da BeWolf.
